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Universidade Lusófona do Porto

Reportagem: Mário Soares e a criação do Serviço Nacional de Saúde

Evento decorreu no âmbito do Ciclo de Conferências "O Pensamento Político de Mário Soares"



Mário Soares destacou-se desde cedo na política. Ainda como estudante universitário, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em 1951 e em Direito em 1957 e foi secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, em 1949, e estaria 11 anos depois na Comissão da Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Fez parte de vários movimentos de oposição à ditadura do Estado Novo, o que lhe valeu ser preso 12 vezes pela PIDE, a polícia política do regime... Foi deportado para São Tomé em 1968 e dois anos depois obrigado a exilar-se em França. O legado económico de Mário Soares tem quatro grandes pilares. Os dois pedidos de ajuda ao FMI, em 1976 e 1983, períodos em que foi primeiro-ministro, o seu apoio à revisão constitucional de 1982, promovida por um Governo liderado por Francisco Pinto Balsemão que permitiu a abertura do país à iniciativa privada ao abolir a irreversibilidade das nacionalizações, e a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), que o próprio solicitou, pela primeira vez, a 29 de novembro de 1976.

A adesão à CEE aparecia-nos, assim, como o contraponto necessário para a reinserção de Portugal no contexto da unidade europeia, a fim de participar, de pleno direito, do seu dinamismo e progresso", afirmou o próprio num discurso proferido em 2005, de comemoração dos 20 anos da assinatura do tratado de adesão de Portugal à então CEE. Manuel Pizarro, licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da U.P. é especialista em Medicina Interna, tendo participado na criação da Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina do Hospital de S. João, de que foi coordenador adjunto. É membro da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e do Conselho Português de Ressuscitação. Foi assistente da cadeira de Prática Clínica, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do curso de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. É, neste sentido e com esta bagagem de conhecimento e experiência que, se debateu o passado, presente e futuro do que era e é o sistema nacional de saúde, sempre com a lupa do que foi o trabalho de Mário Soares nesta temática.

Pela figura que é e pelo passado histórico próximo de todos os portugueses, Pizarro, em declarações ao jornal Loc, confessa que "é fundamental a discussão destes temas na universidade", é, aliás, "o seu objetivo". Sair do que é comum e pensar criticamente sobre a realidade vivida. Também em discussão, entre algo que é impossível de hoje não se falar: a tecnologia e os seus avanços. "Se em 1980 as coisas estavam "perfeitas", com este avanço da tecnologia, é constante a atualização", afirma Manuel Pizarro. Por conseguinte, a academia da lusófona e, em especial, os alunos da licenciatura de estudos políticos. "Que Portugal era esse?", esta foi a questão fulcral da palestra e, a partir daí, e a um ritmo elevado, as informações eram infinitas.