Contacto WhatsApp 961135355

Universidade Lusófona do Porto

(D)o Estranho que existe em Nós

Evento que procurou desenvolver a temática em questão - o estranho/estrangeiro na contemporaneidade



Foi com o objetivo de criar um espaço de reflexão e debate a temas da atualidade que se desenvolveu uma parceria entre a Universidade Lusófona do Porto e a FCAATI e o Rivoli - Teatro Municipal do Porto -, com um ciclo de conferências anual nomeado de "Do Estranho", pois tal como Isabel Babo, Reitora da ULP, referiu em uma entrevista anterior ao Noticias Lusófona sendo "A Universidade Lusófona do Porto uma universidade que está no centro histórico do Porto, assume como missão (...) interocular uma ligação à cidade", sendo que faz todo o sentido "uma universidade da cidade, a refletir na cidade, nas instituições da cidade com público da cidade".

É então, que em prol da temática em questão - o estranho/ estrangeiro na contemporaneidade - que o Rivoli abriu as portas no dia 15 de maio a uma conferência de José Bragança da Miranda, Professor Associado do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, investigador do centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL) e autor de vários livros.

Ao longo desta, José Bragança Miranda explicou como o estranho e o contemporâneo se cruzam com os media, recorrendo nomeadamente a várias teorias - de Marx, de Heidegger; de Freud, a "Unheimlich", entre outras.

Abordou a teoria da alienação de Marx na medida em que a alienação do trabalhador da humanidade é a alienação do homem pelo homem, isto é, o homem ao tornar-se estranho ao seu ser, tornou-se estranho a outro homem e assim ambos se tornaram estranhos à sua condição como ser humano. Explicou também como somos vários conceitos num só ser e como a telepatia e o hipnotismo estão extremamente ligados a isto.

Porém, foi a teoria "Unheimlich" que recebeu especial atenção. "Unheimlich" é uma sensação que foi estudada por Freud em 1919 e traduzida em português como "O Inquietante", embora não exista uma palavra que consiga de forma literal traduzir a sensação em questão. O Inquietante é nada mais nada menos que o estranho que existe em nós, isto é, o estranho/ o diferente é a estranheza que detetamos no inconsciente e só nos choca, porque toca no obscuro que vive em nós. Samara Megume Rodrigues num artigo cientifico explica bem o conceito ao dizer que "essa aflitiva estranheza é também a nossa! Daí o perigo de projetarmos o estrangeiro no outro, que encarnará os próprios conflitos. Assim, a psicanálise demonstra que todos nós somos estrangeiros e ironicamente habitamos o mesmo inquietante lugar: a condição humana de desamparo - que é a condição última de nosso ser connosco e de nosso ser com o outro".

Mais uma vez o objetivo de pensar a atualidade foi cumprido no Rivoli.