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Universidade Lusófona do Porto

Dia 2 - 4th World Conference On Qualitative Research - WCQR2019

Resumo do 2º dia do evento anual que juntou vários profissionais na área da Pesquisa Qualitativa



A investigação qualitativa foi, durante 3 dias, o tema alvo de todas as atenções na Universidade Lusófona do Porto que recebeu a 4ª edição da World Conference on Qualitative Research.

No segundo dia do evento, que ofereceu a todos os participantes e interessados uma larga quantidade de palestras e debates sobre os mais variados temas inerentes à investigação qualitativa, destacou-se a presença de Safary Wa-Mbaleka que apresentou e orientou uma sessão acerca de uma problemática a que deu o nome de "Dog's Effect of Qualitative Research".

O investigador americano e fundador da Asian Qualitative Research Association explicou durante toda a sessão o que se pode entender por "Dog's Effect", levantando as causas e as consequências na pesquisa qualitativa e de que forma os investigadores podem tentar combater esta dificuldade.

"Dog's Effect é um conceito que acabei de introduzir este ano e que, basicamente, se refere à inabilidade de alguém se exprimir ou a dificuldade que o investigador encontra em entender o que as pessoas estão realmente a dizer", explicou o orador logo no início da palestra.

Wa-Mbalenka fez, na criação deste novo conceito, uma interessante comparação entre cães, como animais que se encontram na quarta posição do ranking da inteligência animal, e os investigadores. O convidado apresenta os cães como um animal inteligente, capaz de captar sinais e de perceber sentimentos do Homem, um animal fiel e fácil de entender. Contudo, levanta a grande questão inerente a esta espécie: os cães não conseguem falar nem entender e interpretar o que os humanos lhe dizem!

É neste ponto que é feita a comparação cão/investigador: os investigadores, por diversas razões, deparam-se, em várias situações, com barreiras no entendimento e interpretação de toda a informação que lhes passa pelas mãos, bem como na transmissão de tudo aquilo que resulta da sua pesquisa.

Aquilo que começa a ser abordado como um problema de linguagem passa, ao longo do debate e com o levantamento de questões por parte do público, a ser entendido com uma dificuldade do foro do cultural e do histórico, dado que "quando falamos ou aprendemos uma língua precisamos de aprender, também, a cultura da mesma- isto porque as cultura dita a forma segundo a qual as pessoas falam", como explica Safary Wa-Mbaleka.

O WCQR é um evento anual que tem como principal objetivo reunir investigadores, estudantes e profissionais e permitir-lhes que partilhem os seus projetos e o seu conhecimento no campo da investigação qualitativa e, para isso e por isso, promove uma extensa variedade de sessões onde é possível aos participantes criar e fortificar toda a sua rede de contactos e ainda a troca de experiências.

Catarina Brandão, representante da comissão organizadora da conferência que conta com participantes de mais de 30 países, afirma que o grande impacto no trabalho dos investigadores que se pode observar neste tipo de eventos é "nas própria apresentações, e quando estas terminam, as pessoas pedem e-mails, trocam contactos com os oradores, pedem informações sobre, por exemplo, como obter um determinado instrumento, e isso é aquilo que nós queremos: não só dar visibilidade, mas pôr os investigadores qualitativos de áreas muito distintas a conversarem entre si."

A organização da conferência, que segundo a representante da comissão planeia os eventos um ano antes dos mesmos se realizarem, vê como grande desafio o "criar espaços para que se criem relações e também levar a ciência para fora do espaço da academia", como é o caso do espaço Maus Hábitos, um espaço cultural da cidade do Porto onde tiveram lugar várias sessões da 4th World Conference on Qualitative Research.

Por Renata Andrade