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Universidade Lusófona do Porto

Multiplex 2019: Bette Gordon

Bette Gordon, cineasta norte-americana, foi a convidada da 10ª edição do Multiplex



Numa iniciativa promovida pela Universidade Lusófona do Porto e organizada pelos finalistas da Licenciatura de Comunicação Audiovisual, Bette Gordon - cineasta norte-americana e professora na Columbia University School of the Arts-, em Nova Iorque, foi a convidada da décima edição do Multiplex.

No primeiro dia do evento, a autora associada ao cinema independente, articulou uma Masterclass. Nesta sessão, Bette Gordon refletiu sobre a sua formação académica e cultural, essencialmente.

O Salão Nobre foi o palco para a elocução da cineasta que, reiterou "a facilidade que os jovens europeus cineastas têm para visitar espaços culturais, aceder aos festivais de cinema e se mover para outras cidades", sendo que isto, para ela, "faz toda a diferença, na arte". Incentivou, assim, todos os presentes a "procurarem viajar, estudar e se cultivar mentalmente" porque, nos dias de hoje, será isso "que distingue um artista".

Autora associada ao cinema independente de Nova Iorque e ao movimento underground de início dos anos 80 e professora também dedicou parte do seu tempo de palestra a refletir sobre o seu trabalho. Com uma obra marcada pela estética táctil dos valores plásticos saturados, toda a filmografia trata de um "olhar feminino sobre as questões da sexualidade, da heteronormatividade, da violência e do poder". Confessa que a "mulher é um ser intrigante e, por isso, fascinante para ser retratado". Deste último resulta grande parte do seu trabalho que viaja entre "as relações entre as mulheres, a pornografia e o voyeurismo". De entre os autores que a inspiram: Godard, "como o principal influenciador do meu trabalho e do cinema, no geral". Sendo que Bette Gordon se destaca pela obra marcada pela estética táctil dos valores plásticos saturados, da heteronormatividade e do jogo entre violência e do poder.

Outro dos tópicos que foram abordados e despertaram a curiosidade de todos foi a relação intrínseca entre a indústria do cinema e os cineastas: as questões do acesso às salas de cinema, o financiamento, o trabalho entre produtores e as suas equipas e a crítica. Eis que a experiência real de Bette se transposta para o Salão Nobre - partilha com o público, alguns dos contornos do seu filme "Variety", de 1983, que foi unanimemente aclamado pela crítica e filmado em regime low budget.

Quinta-feira, 21.00h - Variety (1983, 100') - Teatro Rivoli

Variety constitui-se, aliás, como "um ponto de viragem" na obra de Bette, embora esta partilhe que indícios da" mudança estava já em Empty Suitcases", obra de 1980. É uma média-metragem que demarca-se das anteriores obras "experimentalistas e permeáveis à arte plástica". Variety foi "a ponte" para uma filmografia que se assumirá narrativa e ficcional.

Alguns dos seus filmes integram as coleções permanentes de museus como o Museum of Modern Art (MoMA) e o Whitney Museum of American Art. Também a Austin Film Society dedicou-lhe uma retrospetiva, em 2018.

Sexta-feira - Teatro Rivoli

Acompanhados pela presença da autora, o público navegou por entre o seu percurso, no cinema. Antes da exibição a autora confessa "estar muito feliz por estar a exibir alguns dos seus trabalhos" na cidade Invicta. Nas obras visualizadas duas curtas-metragens: "Michigan Avenue" (1974, 6'), "I-94" (1974, 3') e duas médias/longas-metragens "Empty Suitcases" (1980, 50') e "Luminous Motion" (1998, 95').

Em Luminous Motion, mãe e filho em viagem pela América num carro, sem destino. A mãe que quer assentar e o rapaz deseja continuar on the road. Depois da sessão, a autora respondeu a questões do público, partilhou algumas das técnicas de filmagem, abordou a questão da crítica e, ainda, abordou as assimetrias entre o passado e presente.

Sábado, dia 23, foi o último dia do Multiplex de 2019. Visualizaram-se os trabalhos mais recentes. "Handsome Harry"de 2009 e "The Drowning" de 2016. Depois de Agnès Varda, Victor Erice, Manoel de Oliveira, José Luis Guerín, Pedro Costa, Boris Lehman e Renato Berta entre os convidados das edições anteriores, a cineasta Bette Gordon foi a deste ano. Todo o programa teve entrada livre.