Contacto WhatsApp 961135355

Universidade Lusófona do Porto

Jornalismo e as histórias que ninguém vê

A deficiência e invisualidade são, ainda, temas pouco abordados pelos meios de comunicação social.



Além disso, existem desigualdades no acesso à esfera pública, por parte desta população, conforme dão conta vários estudos sobre o tema.

Nesse sentido, com esta sessão, a intenção era não só dar voz a essa minoria, como é o caso do estudante de jornalismo Diogo Rodrigues e dos integrantes do grupo Crinabel, mas também desafiar atores sociais e comunicadores a refletirem connosco esta questão.

Sofia Pires, da revista Plural & singular - um projeto editorial, que surgiu no ano de 2012, que reúne informação especializada na temática da deficiência, sendo distribuída gratuitamente por assinatura digital. A missão da "Revista Plural & Singular" é informar com qualidade e abrangência todas as pessoas com deficiência, mas também cuidadores, instituições profissionais, empresas e outras entidades ligadas a esta área, apostando na qualidade, solidez e no desenvolvimento sustentado da publicação. Esta oradora falou sobre como é desenvolver um projeto que aborda estes temas, muitas vezes esquecidos por entre a azafama da vida humana. Falou, também, do seu percurso profissional como licenciada em ciências da comunicação, pela Universidade da Beira Interior.

Paulo Pimenta, fotojornalista, a trabalhar no jornal Público não é cara estranha na nossa instituição. Partilhou, desta vez, algo que lhe é muito próximo e não tanto de vertente profissional ou, como ele próprio referiu, de "agenda". Acompanha, já há alguns anos, um grupo de teatro, Crinabel - uma cooperativa com estatuto de utilidade pública sem fins lucrativos, fundada em 1975, criada por iniciativa de um grupo de Pais e de outras pessoas ligadas à reabilitação de crianças e jovens com atraso no desenvolvimento.

Este é um grupo de teatro totalmente constituído por pessoas que, de outra forma e pelas portas que se fecham face à deficiência, não seria possível. Pessoas, com os mais variados tipos de deficiência, que formam entre si " um espaço de intimidade" na arte do espetáculo. Foi continuo o alerta que Paulo Pimenta lançou: fazer diferente, fazer mais pela qualidade do jornalismo. "(...) Hoje em dia as coisas estão a mudar rapidamente (...) as pessoas passam cada vez mais tempo na secretária (...) a viver permanentemente ao segundo (...)". Alegando que a imprensa tem o poder de criar novos temas a serem discutidos na praça pública, cada um com o seu instrumento de trabalho. "A minha ferramenta é a maquina fotográfica (...) sei que não vou mudar o mundo, mas tento alterar qualquer coisa". Reconhece que o que o move é a pessoa por detrás da personagem "(...) preciso de histórias fora do palco (...) nós, jornalistas, temos de ser os primeiros. A procurar (...)".

Diogo Rodrigues, estudante da Universidade Lusófona do Porto e deficiente invisual, deu a sua versão do que é viver na sua condição. Ficou cego numa intervenção cirúrgica, aos 3 anos de idade e está, agora, a desconstruir ideias e/ou mentalidades retrógradas. Realça, também, a importância de uma informação justa, fiel e inclusiva.

"(...) O jornalista é os olhos (...) é os meus olhos (...)", acentuando que "(...) a consciência já se começa a abrir um bocadinho (...)", visto que " (...) a sociedade, por vezes, faz do deficiente visual um à margem da lei (...)" Jornalismo e as histórias que ninguém vê - Como podemos dar voz ao mundo ao redor?, esta foi a pergunta levantada na palestra.