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Universidade Lusófona do Porto

Ciberjornalismo - Onde está a voz das comunidades ciganas nos média?

Qual é a visibilidade das comunidades ciganas nos média portugueses? Como são representados?



Qual é a visibilidade das comunidades ciganas nos média portugueses? Como são representados? Qual o papel do Jornalismo na visibilização destas vozes? Quais são as vozes em falta? De que maneira as redes sociais e o ativismo têm contribuído para elevar a consciência sobre esta comunidade? Como é que esta comunidade se autorrepresenta?

Ao trazer para a arena do debate académico ativistas, cientistas sociais, jornalistas e estudantes, os finalistas de Jornalismo, no âmbito da unidade curricular de Ciberjornalismo procuraram dar respostas às questões em cima, mencionadas.

Desafiados pelas docentes Carla Cerqueira e Vanessa Rodrigues, pretenderam não só refletir de que forma as comunidades ciganas estão - ou não - a ser representadas na esfera pública, como também contribuir para uma maior sensibilização para a temática do jornalismo social e de minorias.

A manhã de partilha no Salão Nobre traduziu-se em artigos jornalísticos para o #infomedia - projeto de ciberjornalismo académico dinamizado pelos estudantes de Ciências da Comunicação da Universidade Lusófona do Porto.

No painel de oradoras: Ana Cristina Pereira do Jornal Público, desde 1999. Dedica-se a temas de direitos humanos e exclusão social, como pobreza, desigualdade, reclusão, drogas, proteção de crianças e jovens, violência contra as mulheres, migrações, comunidades ciganas, questões LGBTI+, envelhecimento, políticas de proteção social, ajuda ao desenvolvimento. No decorrer da sua elocução partilhou algumas das suas preocupações quanto ao mundo jornalístico e o tratamento às minorias. E acentua "que o caminho ainda é longo para a inclusão".

Maria Gil, nascida no Porto. Mulher e Cigana, "Existo e Resisto". O teatro é o palco do seu ativismo. Sendo ela uma cara conhecida da luta ativista sobre a temático da comunidade cigana, fez ver aos futuros profissionais a importância "da sua profissão, de se manterem informados e, de acima de tudo, perceberem que escrevem de e para pessoas".

Maria José Casa-Nova, Investigadora e Coordenadora do OBCIG-Observatório das Comunidades Ciganas-Alto Comissariado para as Migrações e Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade, abriu o debate a questões sociológicas, acentuando "as justificações para a pouca aceitação da diferença. Para tal, fez-se acompanhar um livro de literatura infantil para melhor explicar a noção da "diferença desde muito jovens".

Paula Allen, Psicóloga, membro da Associação API tem já anos de trabalho com estas comunidades. Na sua apresentação debruçou-se sobre algumas noções culturais, religiosas e sociais na comunidade. Fundamentou os seus ideais de integração e relevância da educação e formação para os profissionais que lidam com estas pessoas.

Élia Maia é Mediadora Cigana e colaboradora com a APF - Associação para o Planeamento Familiar, no Conjunto Habitacional da Biquinha. A jovem cigana abordou esta palestra, na primeira pessoa, basada na sua experiência de vida. Tendo em conta que esta palestra foi de e para estudantes de jornalismo, Élia mostrou vários exemplos de cobertura mediática e a sua visão sobre as mesmas. Encaminhou o público por entre as dificuldades de acesso e integração das comunidades ciganas: falta de trabalho, fraca escolaridade, tratamento social das minorias, falta de condições de habitação e uma voz inaudível na discussão das políticas comuns.

Os alunos da Licenciatura de Ciências da Comunicação, com esta palestra, aprimoraram os seus conhecimentos da comunidade cigana, observaram e avaliaram a cobertura mediática dos meios de comunicação nacional, foram confrontados pelas mais variadas problemáticas sociais e, acima de tudo, estão agora mais preparados para uma prática jornalística mais inclusiva.