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Universidade Lusófona do Porto

A Importância da consciencialização da Interseccionalidade presente na atualidade

Reportagem do Seminário "Género Interseccionalidade e Comunicação".



Foi no dia 26 de outubro, na Sala dos Atos da Universidade Lusófona do Porto, que teve lugar por volta das 10 horas, o seminário sobre "Género, Interseccionalidade e Comunicação". Com o objetivo de criar um espaço de reflexão e de debate da temática em questão, este acolheu a conferência do Doutor Ov. Cristian Norocel sobre as perspetivas interseccionais da comunicação política relativamente ao caso dos discursos populistas radicais de direita na Europa (Intersectional Perspectives on Political Communication: The Case of Populist Radical Right Discourses in Europe), e a apresentação do dossiê temático da revista "ex aequo nº35" - "Interseccionalidade, Comunicação e Cultura: (Entre)cruzamentos de matrizes de opressão e privilégio".

O Seminário abriu com a Professora Doutora Carla Cerqueira, o Professor Doutor Luís Loureiro e a Professora Doutora Isabel Babo - docentes da instituição anfitriã - com uma breve explicação da importância da reflexão da interseccionalidade presente nos discursos mediáticos atuais, no contexto académico e social em que nos encontramos, de forma a promover a consciencialização.

O Doutor Ov. Cristian Norocel através do conceito "Intersectionality from above", expôs como os partidos radicais de direita na Roménia (The Greater Romania Party) e na Suécia (The Sweden Democrats) apresentam a Mulher - como é vista na política e pelos políticos. Assim como as atividades discriminatórias das quais esta é alvo e as oportunidades reduzidas no plano social a que consegue ter acesso.

A Interseccionalidade vinda de cima pretende compreender como é que a sociedade se rege e qual a diferença patente entre o Homem e a Mulher, sendo cruciais dois métodos que a caracterizam - a Análise Crítica de Enquadramento e a Abordagem Histórica do Discurso.

Saindo um pouco do patamar de género, foram, também, abordadas outras temáticas como racismo e o tipo de discurso político que é utilizado para abranger mensagens racistas de um modo mais subtil e disfarçado.

Após um breve culminar de ideias entre Norocel e a plateia, foi a vez da Doutora Virgínia Ferreira, Presidente da APAM, da Professora Doutora Conceição Nogueira, do CPUP e da FPCEUP, da Professora Doutora Rosa Cabecinhas, do CECS e da ICS da UM, da Professora Doutora Carla Cerqueira (CECS; ULP) e da Doutora Sara I. Magalhães (CPUP) tomarem a dianteira do seminário e apresentarem o dossiê temático sobre a "Interseccionalidade, Comunicação e Cultura: (Entre)cruzamentos de matrizes de opressão e privilégio" do nº35 da revista "Ex Aequo".

A Professora Doutora Conceição Nogueira começa por dar visibilidade à Teoria da Interseccionalidade e à sua componente histórica, afirmando que quando esta nasceu, nasceu com a "preocupação de justiça social, de mudança social e de igualdade social". Evidenciado de seguida exemplos presentes no dossiê de discursos mediáticos interseccionais.

Ao longo da apresentação do dossiê em questão, o capítulo mais mencionado foi o primeiro - "Ensaio sobre as cegueiras" -, que tal como a Professora Doutora Rosa Cabecinhas afirmou, pretende "chamar a atenção às nossas cegueiras quotidianas", ou seja, uma Mulher não é só uma Mulher, é também alguém que tem uma raça, estatuto social, orientação sexual, etc... Sendo uma só categoria evidenciada, todas as outras são ofuscadas, cegando-nos. É, por isso, que muitas vezes os media informativos e de entretenimento são os próprios fornecedores desta mesma interseccionalidade. Daí a importância da regulação da informação e do entretenimento, realçada em prol do último artigo do dossiê, onde são analisados casos de sexismo e racismo e casos de sexismo e nacionalismo.

O seminário chega, assim, ao fim, mas não sem deixar uma onda de consciencialização em todos os que nele estiveram presentes.