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Universidade Lusófona do Porto

Docente da ULP participa em projeto no maior campo de refugiados do mundo

Lurdes Macedo, participa no projeto na qualidade de consultora em Estudos Culturais.



A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a comunidade de refugiados Rohingya em Cox's Bazar, no Bangladesh, acabam de lançar o website do Centro de Memória Cultural Rohingya (Rohingya Cultural Memory Centre), projeto no qual colabora Lurdes Macedo, professora auxiliar da Universidade Lusófona do Porto, na qualidade de consultora em Estudos Culturais.



O Centro de Memória Cultural Rohingya oferece um espaço comunitário no terreno, e agora também online, com galeria interativa, arquivo digital e exposição na web. Esta é uma das iniciativas mais significativas para documentar e preservar a herança cultural do povo Rohingya, original do estado de Rakhine, no Myanmar. O website pode ser acedido aqui



O projeto foi objeto de apresentação por parte da docente e do seu colega de projeto, o artista espanhol David Palazón, na sessão de 14 de Abril do Ramificações, Espaço de Comunicação e Arte, da ULP.

Atualmente, há quase 1 milhão de Rohingyas nos campos de refugiados de Cox's Bazar, os quais vivem com limitados meios de expressão. O Centro de Memória Cultural Rohingya oferece apoio psicossocial através de atividades culturais, bem como um espaço de advocacy, dando voz a esta comunidade vítima de genocídio em 2017.

Em 2019, investigadores da OIM em Cox's Bazar, liderados por David Palazón e Lurdes Macedo, começaram a recolher e a documentar as práticas culturais da comunidade Rohingya, produzindo de seguida um mapa etnográfico e cultural completo, detalhando os aspetos centrais da identidade deste povo. O centro conta a história dos Rohingya através de uma coleção abrangente de bens culturais e obras de arte produzidos por artistas refugiados Rohingya que vivem nos campos. Esta coleção procura ser o retrato de uma cultura com ricas tradições, refletindo sobre o seu passado, o seu presente e o seu futuro, ao mesmo tempo que explora as tensões entre tradição e inovação, memória e imaginação, deslocamento e pertença. Combina objetos de património tangível e intangível, tais como modelos arquitetónicos tradicionais, bordados, cerâmica, cestaria, marcenaria, artes visuais, música, narração de histórias, ou poesia.



Ao fornecer à comunidade Rohingya as ferramentas e a plataforma para contar sua história, o centro procura abordar a "crise de identidade", apontada por três quartos dos refugiados como uma das razões do seu mal-estar. O projeto funciona assim como base para a preservação e valorização da sua rica cultura, contribuindo para o fortalecimento da identidade coletiva da população Rohingya. Tal como afirma Shahida Win, poetisa Rohingya e investigadora do Centro de Memória Cultural Rohingya: "O centro fornece-nos uma plataforma para manter a nossa cultura e as nossas tradições. (...) dá-nos a oportunidade de exprimir a nossa criatividade, aspirações, memórias e sentimentos através das nossas artes."