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Universidade Lusófona do Porto

Nem Lugar Nem Não-lugar

VI Ciclo de Conferências Universidade Lusófona/Rivoli.

Conferência

Data

-

Teatro Rivoli

Manuel Bogalheiro
manuel.bogalheiro@ulp.pt

06 Dezembro 2022

Programa

Quando a geografia se percebe melhor pela organização dos sistemas de relações, do que pelos nomes ou pelas formas das coisas, os lugares adquirem leituras e realidades que mudam consoante as configurações desse campo de forças. Por isso, diferentemente do mapa convencional, o território deixa de ser texto e passa a hipertexto: como na Internet, cada site – o nome que tem os lugares nesse universo electrónico - define-se por uma unidade de conteúdos e funcionalidades que se desvenda através de ligações com outras unidades de informação, outros sites, construindo-se nexos e sentidos que ora reproduzem relações estáveis e esperadas, ora nos surpreendem com novas razões e qualidades. Em vez do sistema de pontos, linhas e superfícies fixas inscritas num espaço euclidiano, a geometria torna-se topológica, e a proximidade ou o afastamento medem-se por graus de relação, acessibilidade ou conectividade, tudo filtrado por posições sociais, imperativos económicos ou pela capacidade performativa dos sistemas sociotécnicos que suportam a mobilidade das pessoas, das mercadorias, do capital, da informação ou da energia. Como resultado desta combinação, o espaço-tempo está sujeito a constantes distorções, socialmente vividas e percebidas de modo desigual e contraditório.

Perdido o mapa da cidade, o território instável da urbanização continua a ser uma permanente (re)construção social, como muito bem explicou Henri Lefébvre. A parafernália tecnológica que não cessa de se diversificar e expandir, acelerando a mercantilização de tudo e o mais que vier filtrado pelas malhas do capitalismo global.

Assim são os lugares e os seus variados modos de existência. Quiseram-nos convencer que por excesso de trepidação ou por terem perdido o espírito que deles se alheou e que lá teria estado desde o tempo das ninfas e dos faunos, se tinham evaporado e transformado em não-lugares. Não é nada claro.

Álvaro Domingues (1959) é Geógrafo, Prof. Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, e investigador do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da FAUP. Entre outras obras, é autor de Paisagens Portuguesas (com Duarte Belo, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Lisboa, 2022), Portugal Possível (com Duarte Belo e Rui Lage, Museu da Paisagem, Lisboa, 2022), Paisagens Transgénicas (Museu da Paisagem, Lisboa, 2021), Volta a Portugal (Contraponto, Lisboa, 2017), Território Casa Comum (com Nuno Travasso, FAUP, Porto, 2015), A Rua da Estrada (Dafne, Porto, 2010), Vida no Campo (Dafne, Porto, 2012) e Políticas Urbanas I e II (com Nuno Portas e João Cabral, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003 e 2011), Cidade e Democracia (Argumentum, Lisboa, 2006).

Preço

Entrada Livre