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Universidade Lusófona do Porto

Ciclo de Conferências - Do Estranho

O desafio passa por interrogar as passagens do Estranho na contemporaneidade

Debate

Data

-

18 Setembro 2018

(Imagem da autoria de Jorge Molder, da série "Points of No Return")

Na vida irrompe sempre o Estranho. Na época planetária em que entrámos, a nossa relação com a
natureza e a história revela-se obscura, fonte de inquietação geral. A Faculdade de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação da Universidade Lusófona do Porto e o Teatro Municipal do Porto dão continuidade ao ciclo anual de conferências Do Estranho, cujo desafio passa por interrogar as passagens do Estranho na contemporaneidade.

20 de novembro às 19h00

Ana Luísa Amaral (Poetisa, tradutora e professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

  • Do Estranho - Divagações sobre o Estrangeiro

    (Imagem da autoria de Jorge Molder, da série "Points of No Return")

    Orador

    Isabel Babo (Reitora da Universidade Lusófona do Porto)

    Isabel Babo é agregada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, doutorada em Sociologia pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) de Paris, licenciada em Filosofia pela Universidade do Porto. É investigadora do CICANT (Centre for Research in Applied Communication, Culture and New Technologies) e as suas áreas de investigação são a sociologia do acontecimento e da comunicação, as teorias do espaço público, dos média e das redes, com livros, artigos e comunicações sobre configuração mediática dos acontecimentos, média, redes, receção e públicos. 

    É professora catedrática e diretora da Faculdade de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação (FCAATI) e reitora da Universidade Lusófona do Porto.

    Resumo

    O espaço público entendido como esfera das interações, do intervalo e da distância nas relações, lugar de impessoalidade, anonimato e diferenças, é o espaço onde assoma o desconhecido, estranho ou estrangeiro. É sobre este último, enquanto categoria sociológica, que a conferência se organiza, colocandoo Estrangeiro em relação ao espaço e ao tempo, ao conhecimento comum e à sua condição de generalidade enquanto um tipo determinado e não um indivíduo. A figura do Estrangeiro, no lugar onde ele é estranho, define-se por uma tensão entre proximidade e distância, pelo presente e pelo futuro, com ausência de um passado comum. Como incarna uma exterioridade, não partilhando desde sempre do conhecimento comum e dos esquemas de interpretação daqueles dos quais se aproxima, revela, quase contraditoriamente, objetividade e clarividência. 

    A divagação sobre o Estrangeiro terá como quadro de referência o espaço público e a ideia de que neste a perceção da estranheza garante a (própria) diferença e a liberdade nas relações. Mas sob uma ambivalência, na medida em que, se, por um lado, o espaço público é o lugar para a aproximação ao desconhecido e ao Estrangeiro, na medida em que é a esfera de anonimato, acessibilidade, circulação e encontros, livre dos constrangimentos e controle do privado e da comunidade, por outro lado, falha a instauração de um espaço comum com o Estrangeiro, em razão do distanciamento à linguagem, às convenções sociais dominantes, aos costumes.