Universidade Lusófona do Porto

Os Desafios da Internacionalização do Ensino Superior

Número de estudantes a nível mundial levou a um crescimento da mobilidade internacional.



Existe um reconhecimento generalizado que as competências e o capital humano se tornaram a espinha dorsal da prosperidade económica e do bem-estar social no presente século. Neste contexto, o ensino superior representa um fator crítico no desenvolvimento desse capital e da inovação, tendo um papel fundamental no sucesso e na sustentabilidade do desenvolvimento económico.

Nos últimos 50 anos, o ensino superior esteve, essencialmente, relacionado com universidades de investigação tradicionais. Hoje em dia, as instituições de ensino superior são mais diversificadas e próximas de um modelo caracterizado pela oferta e pela procura, servindo amplos segmentos da sociedade e constituindo alternativas credíveis às universidades tradicionais.

Os Estados Unidos e o Canadá foram os primeiros países a massificar o ensino superior na década de 60, seguidos pelos países da europa Ocidental e do Japão, na década de 80.

O número de estudantes tem crescido de modo exponencial e, segundo estimativas do Instituto de Estatística da UNESCO, em 1970, a nível mundial, existiriam cerca de 32,5 milhões de estudantes, tendo aumentado para 178 milhões em 2010, prevendo-se que em 2025 atinja os 263 milhões de estudantes. Este aumento do número de estudantes a nível mundial levou a um crescimento significativo da mobilidade internacional, tendo vindo a acelerar na atualidade, devido à mobilidade de estudantes de países como a China e a Índia. As projeções apontam para a continuação do crescimento, prevendo-se que atinja, de acordo com a OCDE, aproximadamente 5,8 milhões em 2020 e 8 milhões em 2025.

No que respeita às universidades portuguesas, tanto públicas como privadas, têm apostado cada vez mais nas suas estratégias de internacionalização, no sentido de obterem um maior reconhecimento e notoriedade além-fronteiras, enquanto destino de estudos superiores e de investigação. Atualmente, o ensino superior português tem uma oportunidade de se tornar num produto/indústria exportável, apresentando um elevado potencial no aporte de significativos resultados de índole económica do país.

No entanto, esta diversidade cultural, linguística e religiosa determina um conjunto de desafios para a comunidade académica, em especial no que toca à adaptação do ensino-aprendizagem, na socialização e no desenvolvimento de competências multiculturais. Como é referido no relatório da OCDE, de 2017, o mundo globalizado requer um sistema de educação à prova de mobilidade e de diversidade.

O Vice-Reitor da Universidade Lusófona do Porto
Joaquim Pais Barbosa