Universidade Lusófona do Porto

João Martinho Moura: a Arte Digital na ULP

O artista esteve na ULP no passado dia 2 de junho

Artista e investigador em Arte Digital - João Martinho Moura -, que desenvolve a sua investigação nas áreas das interfaces inteligentes, visualização de informação, música digital e estética computacional, esteve no passado dia 2 de junho na Lusófona do Porto. O LOC não perdeu a oportunidade e esteve à conversa com o artista.

Autor de publicações académicas sobre o seu principal tema de estudo, a Arte Digital, e colaborador como docente convidado no Mestrado em Tecnologia e Artes Digitais, na Universidade do Minho, João Martinho Moura tem exibido as suas peças um pouco por todo o mundo. É, sobretudo, na interação corporal com sistemas digitais que a obra sua obra se situa.

Contrariamente à maioria dos casos, João Moutinho Moura fez o percurso das Artes para as Ciências. Ao ingressar no ensino superior “a vontade era mais artística, mas apercebi-me que não dominava as técnicas, e então a opção por evoluir inicialmente pela base mais científica foi para ganhar competências na área da programação e da computação gráfica”. Mas a vontade artística, que o acompanha “desde muito cedo, desde as suas primeiras experiências”, permaneceu, e com a aprendizagem destas técnicas o seu fim foi atingido: “usar aquilo que aprendi em prol da representação visual e da computação estética”.

Hoje em dia, bem como durante o percurso de 10 anos que já percorreu, além de expor, estuda também a receção das sua obras. “Quando tenho oportunidade de apresentar peças no meio das cidades reparo que há efetivamente muitas diferenças”. Recorda a sua exposição no México pelo impacto que teve, não deixando de referir a experiência em Praga, da qual conseguiu retirara algumas conclusões: “Lembro-me perfeitamente que a peça só abria à noite, por questões de luz, e havia filas de espera já no inicio da tarde, e a abordagem era ao nível da dança e outras mais cómicas. Ao passo que em Praga a experiência pública foi mais contida. Nesses países as peças ficam melhor em museus.” Para o artista, “a experiência não tem necessariamente de ser interativa”, contudo, “o resultado da peça depende da interação que se faz”.

João Martinho Moura não deixa passar a importância do som nas suas obras e na receção das mesmas. Para este, com o “feedback auditivo que acompanha aquilo que eu estou a ver, o grau de imersão e de entrega da obra é muito mais sensorial”. No que diz respeito às questões da bidimensionalidade e da tridimensionalidade, afirma que “já tentei explorar a tridimensionalidade e só ainda não avancei pela questão do resultado estético, que nunca me confortou”. Ainda assim, no seu Doutoramento a sua análise tem como base precisamente a tridimensionalidade.

Todas as suas obras têm um propósito: “quanto muito a de querer criar e desenvolver”. Mas é sobretudo com as peças de análises de dados que o artista tem um propósito definido, “comunicar e informar, como é o caso dos atentados, ou da exploração espacial”.

João Martinho Moura
João Martinho Moura

Quando questionado sobre os limites e os perigos da arte digital, não hesita. Para João Martinho Moura “a mudança da sociedade vai ser muito forte com as questões da inteligência artificial”, mas nunca vai haver limites para a arte digital, “tal como não há limites para qualquer outra arte”.

Bárbara Dixe Ramos e Carolina Franco