Universidade Lusófona do Porto

Condições socioeconómicas e formação superior

Artigo de Isabel Babo publicado no Jornal Sol

O aumento ou a diminuição de inscrições no ensino superior advém, em grande parte, da estabilidade ou instabilidade socioeconómica, havendo também uma correlação entre a formação superior e o contexto social, económico, cultural e territorial das famílias. Em 2017, confirma-se um importante incremento das candidaturas e colocações no ensino superior universitário e politécnico, público e privado, português. A saída da crise, que já se fez sentir em 2016, é determinante, embora um outro factor, bem menos significativo, terá contribuído para este acréscimo, prendendo-se com a melhoria das médias nos exames nacionais, especificamente a Português e a Matemática, maioritariamente requeridos no acesso a universidades e politécnicos.

Ora, este aumento de novos estudantes no ensino superior convoca questões mais ou menos evidentes ou mais ou menos complexas, que vão das vagas existentes no ensino superior (que corresponderão, em número e em opção, melhor ou pior à procura) às bolsas do Fundo de Ação Social escolar de apoio a estudantes (que louvavelmente já sofreram uma dilatação) ou, ainda, à meta da percentagem de 40% das pessoas com idade entre os 30 e os 34 anos com diploma universitário ou qualificação equivalente, de acordo com a estratégia Europa 2020.

Em Portugal, em 2016, somente 17,8% da população detinha formação superior, embora a percentagem entre os 30 e os 34 anos com um curso superior tenha crescido para 34,6%, de acordo com estatísticas do Eurostat, contrastando este último número com 12,9%, em 2002. Contudo, se esta progressão é importante, continua manifestamente inferior à média europeia em que 39,1% da população com idades entre os 30 e os 34 anos, do conjunto dos 28 Estados, detém educação superior. Donde, e apesar do atual crescimento da procura, faz sentido advogar-se que existe espaço para a expansão do ensino superior em Portugal, mesmo com a curva demográfica descendente da população jovem, pois dificilmente em 2020 se alcançará a média de 40%, que virá certamente a ser concretizada pela média europeia.

Nunca será de mais realçar que a formação superior possibilita a valorização individual e social, melhores oportunidades de emprego e trajetória pessoal de vida, contribuindo para o desenvolvimento social, cultural e do conhecimento. A universidade, em particular, é uma das instituições que melhor concorre para o avanço da ciência, do pensamento crítico, da tecnologia, da inovação e da cultura.

Isabel Babo
Reitora da Universidade Lusófona do Porto
setembro 2017